Tive a curiosidade de saber quantos escritores, aqui neste portal, têm o mesmo sobrenome que o meu. São 28, incluindo eu, é claro. Fiquei me perguntando se alguns deles seriam meus parentes.
Há Soutos espalhados por todo o nosso glorioso Brasil: Bahia, Paraíba, Belém, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Ceilândia, Guariba, Bezerra (Pernambuco), Resende, Caicó (RN), Natal, Goiânia, Recife, Caruaru, Ribeirão Pires, Pedra Lavrada, Brasília, Castanhal (Pará), Barueri, Valparaíso (Goiás), Manaus… e eu, de Niterói.
Os Soutos estão por toda parte. Diante disso, cheguei a pensar que já daria até para fundar o PFS–Partido da Família Souto. Formaríamos uma bancada de deputados, alguns senadores e, quem sabe, até elegeríamos um presidente.
Já imaginaram? Presidente Souto.
Seria um partido grande, não pelo poder, mas pela quantidade de palpites, porque, convenhamos, brasileiro entende de política como entende de futebol: todo mundo é técnico, todo mundo tem solução pronta e ninguém concorda com ninguém.
No PFS, cada Souto teria uma ideia diferente de país. Um ia querer mais saúde, outro mais estrada, outro só queria que o café não acabasse no gabinete. Teríamos ala conservadora, ala progressista, ala do “deixa disso” e a temida ala do “na minha época era melhor”. O slogan poderia ser simples e honesto:
“PFS–A gente briga entre si, mas governa tentando.”
No Congresso, a bancada Souto discutiria calorosamente, mas sempre com almoço marcado depois, porque família pode até divergir, mas não perde a refeição. As sessões seriam longas, cheias de discursos inflamados, e poucas decisões práticas, exatamente como manda a tradição política nacional.
E o presidente Souto? Prometeria unir o país, pacificar os ânimos e acabar com a corrupção, tudo isso no primeiro discurso. Depois, esbarraria na velha realidade: orçamento curto, interesses longos e um povo cansado de promessas bonitas.
No fim das contas, o PFS seria apenas o retrato fiel do Brasil: diverso, espalhado, barulhento, cheio de boa intenção e com dificuldade crônica de se organizar. Mas com uma vantagem imensa sobre os outros partidos, pois quando tudo desse errado, ainda daria para dizer com sinceridade:
— Pelo menos ficou tudo em família.