Enchemos a vida de filhos,
que enchem a vida de amor.
Depois vêm nossos netinhos,
brilhando com seu calor.
E os bisnetos tão danados,
com seus gestos encantados,
nos devolvem o sabor.
Pessoas cheias de arte,
seguem firme o seu caminho,
nos poemas de quem parte,
mas deixou o seu carinho.
Tataranetos virão,
mas já não estarei por aqui.
Serão frutos da paixão,
das sementes que plantei.
E quem sabe, algum sorriso,
num retrato ou improviso,
vai lembrar o que eu deixei.
Alguns me enchem de sonho,
com olhar de fantasia.
Outros cantam no meu peito
o bê-á-bá da alegria.
Trazem riso e esperança,
como toda criança
que também já fui um dia.
E os que crescem sem demora
com vontade de aprender,
me revelam toda a aurora
de um futuro a florescer.
São promessas, são caminhos,
seguem firmes, vão sozinhos,
mas me levam sem saber.
Pessoas cheias de arte,
guiam passos com ternura.
Nos poemas de quem parte,
deixam viva a criatura.
Sou apenas um suspiro
nesse verso que ainda giro,
feito luz que não se apura.