Geração de ouro
Estamos partindo, chegou o momento,
a geração de ouro se vai com o vento.
Dos anos quarenta, cinquenta e sessenta, a flor,
resta a lembrança, o brilho e o amor.
Quem vem agora, com o peito vazio,
sem fé, sem ternura, perdido no frio?
Ficamos na história, em verso e canção,
mas o mundo de hoje carece de paixão.
Amávamos de verdade, sem malícia ou temor,
Os apelidos traziam sempre carinho e calor.
Nossas músicas doces, suaves, sem nos ferir,
Vivemos rock e pop, a história a seguir.
Vimos o homem à lua,
guerras a surgir,
Protegidos crescemos, prontos a sorrir.
Estudamos sem planos,
vivemos com ardor,
Carnaval nos clubes, debutantes e amor.
O primeiro amor casamos sem pensar,
e muitos ainda seguem firmes a amar.
Somos edição rara, já quase sem par,
de um tempo em que o mundo sabia sonhar.
Trabalhamos com zelo, plantamos com amor,
mas o respeito ao outro perdeu seu valor.
Agora nos cabe pensar e cuidar:
que mundo deixamos? O tempo vai julgar.
Você é como nós, uma edição singular,
parte de um legado que insiste em pulsar.
Pense bem: o que vivemos, no fim,
é o tempo mais raro, que não chega ao fim.
Antonio Souto
Enviado por Antonio Souto em 24/10/2024
Alterado em 28/10/2025